sábado, agosto 16, 2008
sexta-feira, julho 25, 2008
Meninos do Rio
Um lugar tão agradável quanto caro!
Porém, vale a pena... tudo tem grande qualidade; mesmo tudo!!!
Temos que aprender a aceitar que no meio de um ambiente acolhedor existe de tudo; elas em vestidos de noite, pseudo-etnicos e chiques em grandes "sunglasses" e de sandália compensada que lhes fazem um andar quase "gansolino" até aos "criativos" de chinela e ar "descontraído". Bem, uma fauna e flora que daria um bom estudo!
O propósito deste post é e será louvar o "spot" e as caipirinhas dos Meninos do Rio. Vale a pena.
Porém, vale a pena... tudo tem grande qualidade; mesmo tudo!!!
Temos que aprender a aceitar que no meio de um ambiente acolhedor existe de tudo; elas em vestidos de noite, pseudo-etnicos e chiques em grandes "sunglasses" e de sandália compensada que lhes fazem um andar quase "gansolino" até aos "criativos" de chinela e ar "descontraído". Bem, uma fauna e flora que daria um bom estudo!
O propósito deste post é e será louvar o "spot" e as caipirinhas dos Meninos do Rio. Vale a pena.
quinta-feira, julho 17, 2008
sexta-feira, julho 04, 2008
quinta-feira, julho 03, 2008
Civilidade
Da Time Out:
"Amamos Pequenos gestos de simpatia no quotidiano A vida na cidade nem sempre é fácil. Um tipo está ressacado da noite anterior, da bebida ou dos filhos, são oito da manhã e vê-se enfiado numa fila maior do que a Zara no primeiro dia de saldos. Enfim, uma treta. Mas, de repente, lembramo-nos de que há fome em África, que o Benfica vai começar o campeonato empatado com o Porto a zero pontos, e que, ora bolas, temos de ser uns para os outros. Por isso, travamos, deixamos entrar na fila o carro que estava a fazer pisca há cinco minutos, e eis que o condutor levanta o braço, em sinal de agradecimento. E o dia ganha uma outra cor.
Amamos esses pequenos gestos de simpatia quotidianos: o senhor que na passadeira ergue a mão, a senhora que acena a cabeça, a menina que pede desculpa por qualquer coisa. São coisas simples que nos animam a existência, porque vêm de gente que sabemos que não vamos voltar a ver. E por isso são puros, cândidos, gratuitos. Chama-se a isso civilidade, e é das coisas bonitas que há nesta vida."
João Miguel Tavares
terça-feira, 1 de Julho de 2008
"Amamos Pequenos gestos de simpatia no quotidiano A vida na cidade nem sempre é fácil. Um tipo está ressacado da noite anterior, da bebida ou dos filhos, são oito da manhã e vê-se enfiado numa fila maior do que a Zara no primeiro dia de saldos. Enfim, uma treta. Mas, de repente, lembramo-nos de que há fome em África, que o Benfica vai começar o campeonato empatado com o Porto a zero pontos, e que, ora bolas, temos de ser uns para os outros. Por isso, travamos, deixamos entrar na fila o carro que estava a fazer pisca há cinco minutos, e eis que o condutor levanta o braço, em sinal de agradecimento. E o dia ganha uma outra cor.
Amamos esses pequenos gestos de simpatia quotidianos: o senhor que na passadeira ergue a mão, a senhora que acena a cabeça, a menina que pede desculpa por qualquer coisa. São coisas simples que nos animam a existência, porque vêm de gente que sabemos que não vamos voltar a ver. E por isso são puros, cândidos, gratuitos. Chama-se a isso civilidade, e é das coisas bonitas que há nesta vida."
João Miguel Tavares
terça-feira, 1 de Julho de 2008
sexta-feira, junho 27, 2008
quinta-feira, junho 19, 2008
quarta-feira, junho 18, 2008
terça-feira, junho 17, 2008
segunda-feira, junho 16, 2008
quinta-feira, junho 12, 2008
sexta-feira, junho 06, 2008
quarta-feira, junho 04, 2008
terça-feira, junho 03, 2008
segunda-feira, maio 26, 2008
Diário de Guerra/Espiritual
PÚBLICO
25.05.2008, João Bénard da Costa
1.Etty. Etty Hillesum. Holandesa. Nasceu em Middelburg, na Zelândia, a 15 de Janeiro de 1914, no ano em que começou uma guerra enorme. Morreu em Auschwitz, a 30 de Novembro de 1943, quando começava o princípio do fim de outra guerra ainda mais enorme. Pouco antes de fazer 30 anos. Não chegou a viver três meses no campo para onde a levaram a 7 de Setembro. Muitas vezes o tinha profetizado. Antes dela, morreram os pais, ou durante a viagem, ou conduzidos directamente à câmara de gás quando chegaram. Mikael (Mischa) o irmão mais novo, que era pianista, gostava de Schubert e de Mozart, por lá ficou também a 31 de Março de 1944, aos 24 anos. Um outro irmão morreu em Abril de 1945, em Bergen-Belsen. Uma das muitas famílias judias inteiramente exterminadas pela "solução final".Durante cerca de quarenta anos, não se falou dela. Até que foi encontrado o Diário de Etty, escrito entre 1941 e 1943. Publicado em 1981, o livro celebrizou a autora, no país natal. Começaram as traduções. Em 2006, como contei na crónica Carta a Amigos Distantes (21 de Maio de 2006, faz agora dois anos) um desses amigos escreveu-me de Torre de D. Chama (Mirandela) e falou-me dela e, pela primeira vez, dela ouvi falar. "Deixo-lhe a curiosidade de a conhecer e a fascinação do encontro. Esta rapariga holandesa é uma Mulher de Deus (...)". Pedia-me que convencesse o Padre Tolentino de Mendonça a publicá-la na colecção "Teofanias" da Assírio & Alvim, onde já tinham aparecido Simone Weil e Cristina Campo, a quem tanto a associaram.Não foi preciso. A Assírio já havia comprado os direitos e já estavam a traduzir o livro. Mas, como este nunca mais aparecia, quando, em Abril, em Paris, encontrei o Diário já em "livre de poche", nas "Éditions du Seuil", não resisti mais e comprei-o. Os franceses chamaram-lhe Une vie bouleversée. Chegado a Lisboa, soube que o Padre Tolentino já apresentara na Alvim a edição portuguesa, simplesmente chamada Diário, que logo me mandaram. Li e reli as duas versões. Etty Hillesum entrou na minha vida, com a sua "fé apátrida, talhante e errante", como tão bem ma descrevera o meu amigo de Torre de D. Chama. Posso sempre enganar-me, mas, segundo todas as probabilidades, este é o livro mais importante que apareceu em português em 2008.Como falar dele? Decidi fazê-lo em duas crónicas. Nesta, só Etty falará, pois me limitarei a transcrever alguns excertos do Diário, misturando as duas traduções. Para a semana, conversaremos. Achei, como o meu citado interlocutor, que assim a "fascinação do encontro" podia ser maior. Na edição portuguesa, o texto de Etty (diminutivo de Esther) é precedido por um luminoso prefácio do Pe. Tolentino de Mendonça.Agora, a palavra a Etty Hillesum, nas línguas pelas quais lhe pude aceder. O Diário começa a 9 de Março de 1941 e acaba a 13 de Outubro de 1942.2. "Como uma melodia, o mundo rola das mãos de Deus". Estes versos de Verwey [Albert Verwey (1865-1937) poeta holandês, amigo de Stefan George] não me saíram da cabeça todo o dia. Quem me dera "rolar melodicamente das mãos de Deus".3. "Devia bastar que houvesse um só homem digno desse nome, para se acreditar na humanidade ( ... ) Mesmo que houvesse um só alemão decente, por causa dele perdias o direito a odiar um povo inteiro ( ... ) O ódio indiferenciado é a pior coisa que existe. É uma doença da alma".4. "Aprendi hoje algo de essencial. Quando achava bonita uma flor, o que eu mais desejava era apertá-la contra o peito ou comê-la. Era mais difícil com uma bonita paisagem, mas o sentimento era o mesmo. Eu era sensual demais, demasiado "possessiva". Tudo o que me parecia bonito queria-o de forma exageradamente física, queria possuí-lo. Por isso tinha sempre uma dolorosa sensação de desejo que nunca podia ser satisfeita, uma nostálgica aspiração a qualquer coisa que me parecia inacessível, a que eu chamava "instinto criador" (...) De repente, tudo mudou (...) Verifiquei com alegria que o mundo que Deus criou continua belo (...) Como sempre, esta paisagem silenciosa, tão misteriosa à hora do crepúsculo, deu-me sentimentos tão fortes como dantes, mas vi-a, digamos assim, "objectivamente". Já não a queria "possuir", já não me sentia incitada ao onanismo".5. "Creio que vou ser capaz. De manhã, antes de começar a trabalhar, passar meia hora a ouvir-me a mim própria, a voltar-me "para dentro". "Submergir-me". Também podia dizer: meditar. Mas esse verbo ainda me assusta um bocado (...) Uma "hora silenciosa" não é fácil de conseguir. Tem que se aprender a consegui-la (...) O objectivo da meditação é, cá dentro, uma pessoa transformar-se numa planície grande e vasta, sem o matagal manhoso que não nos deixa ver. Deixar entrar um pouco de "Deus" em nós, como existe um pouco de "Deus" na Nona de Beethoven".6. "Mais prisões outra vez. Outra vez o terror, os campos de concentração, pais, irmãs e irmãos arbitrariamente arrancados dos seus. Uma pessoa procura o sentido da vida e pergunta-se mesmo se ela terá algum sentido. Mas isso é coisa que temos de decidir sózinhos e com Deus. Talvez cada vida tenha um sentido próprio e seja precisa a vida inteira para o encontrar".7. "Tudo é coincidência ou nada é coincidência. Se eu acreditasse na primeira hipótese, não conseguia viver. Mas ainda não estou convencida da segunda".8. "Enorme agitação. Agitação bizarra, diabólica, que talvez fosse produtiva se a soubesse utilizar. Uma agitação "criadora". Nada a ver com agitações do corpo, nem uma dúzia de noites de amor tórrido a conseguiriam pacificar. É uma agitação quase "sagrada". Oh Deus, toma-me na Tua grande mão e torna-me Teu instrumento, faz-me escrever".9. "É difícil estar ao mesmo tempo de bem com Deus e com o baixo-ventre".10. "As minhas ideias continuam a parecer roupas largas demais, penduradas à volta do meu corpo. O corpo ainda vai crescer, mas os vestidos continuam a ser tamanhões".11. "Um poema de Rilke é tão real e tão importante como um rapaz que cai de um avião. Que isto fique bem claro".12. "Dentro de mim, há um poço fundíssimo. Lá dentro está Deus. Às vezes consigo lá chegar. Mas o mais frequente é o poço estar cheio de pedra e cascalho e Deus soterrado. Então é preciso desenterrá-lO".13. "Senhor, dá-me sabedoria e não conhecimentos. Ou dá-me conhecimentos que levem à sabedoria".14. "Pôr a cabeça no ar é possível. Mas pôr o ar na cabeça já não é".15. "Procurar em algumas palavras o abrigo para aquilo que há em mim. Mas ainda não há palavras que me queiram abrigar".16. "Medo da vida a todo o comprimento".17. "A rapariga que não conseguia ajoelhar-se e que afinal aprendeu a fazê-lo no tapete áspero de fibra de coco de uma casa de banho desarrumada. Mas estas coisas são ainda mais íntimas do que as coisas sexuais".18. "Meu Deus, pega-me pela mão. (...) Gosto de me sentir abrigada e segura, mas se for deixada ao relento, aceitá-lo-ei, se for a Tua mão que me deixar. Hei-de acompanhar-Te sempre guiada pela Tua mão e tentarei não ter medo".19. "Ontem à noite, pouco antes de me ir deitar, dei por mim, de repente, ajoelhada na alcatifa, no meio desta grande sala, entre as cadeiras de metal. Assim. Sem mais nem menos. Puxada para o chão por algo mais forte do que eu. Faz tempo, tinha dito de mim para mim: "Vou ver se consigo ajoelhar-me". Tinha ainda muita vergonha desse gesto tão íntimo como os gestos do amor, todos gestos de que ninguém consegue falar. A não ser um poeta (...) A força criadora é, afinal de contas, uma parte de Deus. As pessoas precisam é de ter a coragem de o dizer (...). Estas palavras acompanharam-me semanas a fio. É preciso é ter a coragem de o dizer. A coragem de pronunciar o nome de Deus".20. "A mãe que, a certa altura, disse: "Pois é. Na verdade sou religiosa". A Tia Piet disse há dias quase o mesmo, aqui em frente da lareira: "Na verdade sou religiosa". O cerne está nesse "na verdade" (...) O que querem elas dizer com esse "na verdade""?21. ""Mas o que é que acontece às pessoas para quererem destruir os outros?" perguntou-me Jan amargurado. Disse-lhe: "As pessoas, pois, as pessoas. Mas lembra-te que tu também és uma delas (...) A maldade dos outros também está dentro de nós (...) Não acredito que se possa melhorar alguma coisa no mundo exterior se não começamos por nos melhorar a nós. Essa parece-me ser a única lição desta guerra. Aprender a procurá-lo dentro de nós e em mais parte nenhuma"".22. "Quando uma pessoa tem vida interior, talvez não haja uma diferença tão grande como tudo isso entre estar fora ou dentro dos muros de um campo. Será que conseguirei justificar estas palavras, mais tarde, a mim própria? Será que as conseguirei pôr em prática? Não devemos ter ilusões. A vida vai ser muito dura. Hão-de nos separar, hão-de me separar de todos os que me são queridos. Creio que esse tempo já nem está muito distante".23. "Às vezes é quase impossível aceitar e entender, Deus, o que as Tuas imagens e semelhanças andam a fazer umas às outras, neste mundo e neste tempo de excessos (...) Mas eu encaro o Teu mundo olhos nos olhos, Deus, e não me refugio em sonhos belos (...) Apesar de tudo, continuo a louvar a Tua criação, Deus!"24. "Não é Deus que nos deve explicações. Nós é que lhas devemos a Ele. Sei o que ainda nos pode esperar (...) Deus não nos deve explicações pelas coisas sem sentido que fazemos. Somos nós quem tem que dar explicações. Já morri mil mortes em mil campos de concentração, sei de tudo, nada novo me pode angustiar. De uma forma ou de outra, sei de tudo. Mas porém acho que esta vida é bela e plena de sentido. A cada instante."25. "E eu creio em Deus, mesmo quando daqui a pouco os piolhos me devorarem na Polónia".26. "Quando hoje caminhava pelos corredores a abarrotar, senti, de repente, uma enorme necessidade de me ajoelhar ali, no chão de pedra, no meio de toda a gente. O único gesto de dignidade humana que ainda nos resta neste tempo, é ajoelhar perante Deus".27. "E se Deus não me ajudar mais, nesse caso hei-de eu ajudar Deus".Escritor
25.05.2008, João Bénard da Costa
1.Etty. Etty Hillesum. Holandesa. Nasceu em Middelburg, na Zelândia, a 15 de Janeiro de 1914, no ano em que começou uma guerra enorme. Morreu em Auschwitz, a 30 de Novembro de 1943, quando começava o princípio do fim de outra guerra ainda mais enorme. Pouco antes de fazer 30 anos. Não chegou a viver três meses no campo para onde a levaram a 7 de Setembro. Muitas vezes o tinha profetizado. Antes dela, morreram os pais, ou durante a viagem, ou conduzidos directamente à câmara de gás quando chegaram. Mikael (Mischa) o irmão mais novo, que era pianista, gostava de Schubert e de Mozart, por lá ficou também a 31 de Março de 1944, aos 24 anos. Um outro irmão morreu em Abril de 1945, em Bergen-Belsen. Uma das muitas famílias judias inteiramente exterminadas pela "solução final".Durante cerca de quarenta anos, não se falou dela. Até que foi encontrado o Diário de Etty, escrito entre 1941 e 1943. Publicado em 1981, o livro celebrizou a autora, no país natal. Começaram as traduções. Em 2006, como contei na crónica Carta a Amigos Distantes (21 de Maio de 2006, faz agora dois anos) um desses amigos escreveu-me de Torre de D. Chama (Mirandela) e falou-me dela e, pela primeira vez, dela ouvi falar. "Deixo-lhe a curiosidade de a conhecer e a fascinação do encontro. Esta rapariga holandesa é uma Mulher de Deus (...)". Pedia-me que convencesse o Padre Tolentino de Mendonça a publicá-la na colecção "Teofanias" da Assírio & Alvim, onde já tinham aparecido Simone Weil e Cristina Campo, a quem tanto a associaram.Não foi preciso. A Assírio já havia comprado os direitos e já estavam a traduzir o livro. Mas, como este nunca mais aparecia, quando, em Abril, em Paris, encontrei o Diário já em "livre de poche", nas "Éditions du Seuil", não resisti mais e comprei-o. Os franceses chamaram-lhe Une vie bouleversée. Chegado a Lisboa, soube que o Padre Tolentino já apresentara na Alvim a edição portuguesa, simplesmente chamada Diário, que logo me mandaram. Li e reli as duas versões. Etty Hillesum entrou na minha vida, com a sua "fé apátrida, talhante e errante", como tão bem ma descrevera o meu amigo de Torre de D. Chama. Posso sempre enganar-me, mas, segundo todas as probabilidades, este é o livro mais importante que apareceu em português em 2008.Como falar dele? Decidi fazê-lo em duas crónicas. Nesta, só Etty falará, pois me limitarei a transcrever alguns excertos do Diário, misturando as duas traduções. Para a semana, conversaremos. Achei, como o meu citado interlocutor, que assim a "fascinação do encontro" podia ser maior. Na edição portuguesa, o texto de Etty (diminutivo de Esther) é precedido por um luminoso prefácio do Pe. Tolentino de Mendonça.Agora, a palavra a Etty Hillesum, nas línguas pelas quais lhe pude aceder. O Diário começa a 9 de Março de 1941 e acaba a 13 de Outubro de 1942.2. "Como uma melodia, o mundo rola das mãos de Deus". Estes versos de Verwey [Albert Verwey (1865-1937) poeta holandês, amigo de Stefan George] não me saíram da cabeça todo o dia. Quem me dera "rolar melodicamente das mãos de Deus".3. "Devia bastar que houvesse um só homem digno desse nome, para se acreditar na humanidade ( ... ) Mesmo que houvesse um só alemão decente, por causa dele perdias o direito a odiar um povo inteiro ( ... ) O ódio indiferenciado é a pior coisa que existe. É uma doença da alma".4. "Aprendi hoje algo de essencial. Quando achava bonita uma flor, o que eu mais desejava era apertá-la contra o peito ou comê-la. Era mais difícil com uma bonita paisagem, mas o sentimento era o mesmo. Eu era sensual demais, demasiado "possessiva". Tudo o que me parecia bonito queria-o de forma exageradamente física, queria possuí-lo. Por isso tinha sempre uma dolorosa sensação de desejo que nunca podia ser satisfeita, uma nostálgica aspiração a qualquer coisa que me parecia inacessível, a que eu chamava "instinto criador" (...) De repente, tudo mudou (...) Verifiquei com alegria que o mundo que Deus criou continua belo (...) Como sempre, esta paisagem silenciosa, tão misteriosa à hora do crepúsculo, deu-me sentimentos tão fortes como dantes, mas vi-a, digamos assim, "objectivamente". Já não a queria "possuir", já não me sentia incitada ao onanismo".5. "Creio que vou ser capaz. De manhã, antes de começar a trabalhar, passar meia hora a ouvir-me a mim própria, a voltar-me "para dentro". "Submergir-me". Também podia dizer: meditar. Mas esse verbo ainda me assusta um bocado (...) Uma "hora silenciosa" não é fácil de conseguir. Tem que se aprender a consegui-la (...) O objectivo da meditação é, cá dentro, uma pessoa transformar-se numa planície grande e vasta, sem o matagal manhoso que não nos deixa ver. Deixar entrar um pouco de "Deus" em nós, como existe um pouco de "Deus" na Nona de Beethoven".6. "Mais prisões outra vez. Outra vez o terror, os campos de concentração, pais, irmãs e irmãos arbitrariamente arrancados dos seus. Uma pessoa procura o sentido da vida e pergunta-se mesmo se ela terá algum sentido. Mas isso é coisa que temos de decidir sózinhos e com Deus. Talvez cada vida tenha um sentido próprio e seja precisa a vida inteira para o encontrar".7. "Tudo é coincidência ou nada é coincidência. Se eu acreditasse na primeira hipótese, não conseguia viver. Mas ainda não estou convencida da segunda".8. "Enorme agitação. Agitação bizarra, diabólica, que talvez fosse produtiva se a soubesse utilizar. Uma agitação "criadora". Nada a ver com agitações do corpo, nem uma dúzia de noites de amor tórrido a conseguiriam pacificar. É uma agitação quase "sagrada". Oh Deus, toma-me na Tua grande mão e torna-me Teu instrumento, faz-me escrever".9. "É difícil estar ao mesmo tempo de bem com Deus e com o baixo-ventre".10. "As minhas ideias continuam a parecer roupas largas demais, penduradas à volta do meu corpo. O corpo ainda vai crescer, mas os vestidos continuam a ser tamanhões".11. "Um poema de Rilke é tão real e tão importante como um rapaz que cai de um avião. Que isto fique bem claro".12. "Dentro de mim, há um poço fundíssimo. Lá dentro está Deus. Às vezes consigo lá chegar. Mas o mais frequente é o poço estar cheio de pedra e cascalho e Deus soterrado. Então é preciso desenterrá-lO".13. "Senhor, dá-me sabedoria e não conhecimentos. Ou dá-me conhecimentos que levem à sabedoria".14. "Pôr a cabeça no ar é possível. Mas pôr o ar na cabeça já não é".15. "Procurar em algumas palavras o abrigo para aquilo que há em mim. Mas ainda não há palavras que me queiram abrigar".16. "Medo da vida a todo o comprimento".17. "A rapariga que não conseguia ajoelhar-se e que afinal aprendeu a fazê-lo no tapete áspero de fibra de coco de uma casa de banho desarrumada. Mas estas coisas são ainda mais íntimas do que as coisas sexuais".18. "Meu Deus, pega-me pela mão. (...) Gosto de me sentir abrigada e segura, mas se for deixada ao relento, aceitá-lo-ei, se for a Tua mão que me deixar. Hei-de acompanhar-Te sempre guiada pela Tua mão e tentarei não ter medo".19. "Ontem à noite, pouco antes de me ir deitar, dei por mim, de repente, ajoelhada na alcatifa, no meio desta grande sala, entre as cadeiras de metal. Assim. Sem mais nem menos. Puxada para o chão por algo mais forte do que eu. Faz tempo, tinha dito de mim para mim: "Vou ver se consigo ajoelhar-me". Tinha ainda muita vergonha desse gesto tão íntimo como os gestos do amor, todos gestos de que ninguém consegue falar. A não ser um poeta (...) A força criadora é, afinal de contas, uma parte de Deus. As pessoas precisam é de ter a coragem de o dizer (...). Estas palavras acompanharam-me semanas a fio. É preciso é ter a coragem de o dizer. A coragem de pronunciar o nome de Deus".20. "A mãe que, a certa altura, disse: "Pois é. Na verdade sou religiosa". A Tia Piet disse há dias quase o mesmo, aqui em frente da lareira: "Na verdade sou religiosa". O cerne está nesse "na verdade" (...) O que querem elas dizer com esse "na verdade""?21. ""Mas o que é que acontece às pessoas para quererem destruir os outros?" perguntou-me Jan amargurado. Disse-lhe: "As pessoas, pois, as pessoas. Mas lembra-te que tu também és uma delas (...) A maldade dos outros também está dentro de nós (...) Não acredito que se possa melhorar alguma coisa no mundo exterior se não começamos por nos melhorar a nós. Essa parece-me ser a única lição desta guerra. Aprender a procurá-lo dentro de nós e em mais parte nenhuma"".22. "Quando uma pessoa tem vida interior, talvez não haja uma diferença tão grande como tudo isso entre estar fora ou dentro dos muros de um campo. Será que conseguirei justificar estas palavras, mais tarde, a mim própria? Será que as conseguirei pôr em prática? Não devemos ter ilusões. A vida vai ser muito dura. Hão-de nos separar, hão-de me separar de todos os que me são queridos. Creio que esse tempo já nem está muito distante".23. "Às vezes é quase impossível aceitar e entender, Deus, o que as Tuas imagens e semelhanças andam a fazer umas às outras, neste mundo e neste tempo de excessos (...) Mas eu encaro o Teu mundo olhos nos olhos, Deus, e não me refugio em sonhos belos (...) Apesar de tudo, continuo a louvar a Tua criação, Deus!"24. "Não é Deus que nos deve explicações. Nós é que lhas devemos a Ele. Sei o que ainda nos pode esperar (...) Deus não nos deve explicações pelas coisas sem sentido que fazemos. Somos nós quem tem que dar explicações. Já morri mil mortes em mil campos de concentração, sei de tudo, nada novo me pode angustiar. De uma forma ou de outra, sei de tudo. Mas porém acho que esta vida é bela e plena de sentido. A cada instante."25. "E eu creio em Deus, mesmo quando daqui a pouco os piolhos me devorarem na Polónia".26. "Quando hoje caminhava pelos corredores a abarrotar, senti, de repente, uma enorme necessidade de me ajoelhar ali, no chão de pedra, no meio de toda a gente. O único gesto de dignidade humana que ainda nos resta neste tempo, é ajoelhar perante Deus".27. "E se Deus não me ajudar mais, nesse caso hei-de eu ajudar Deus".Escritor
terça-feira, maio 20, 2008
terça-feira, maio 13, 2008
quarta-feira, abril 30, 2008
terça-feira, abril 29, 2008
quinta-feira, abril 17, 2008
As pseudo-series históricas em DVD
Não consigo resistir a colocar a crónica de hoje da Dra Maria José Nogueira Pinto do DN (espero que me perdoem):
"Acomodei-me no meu sofá para ver The Tudors, um drama histórico televisivo sobre a vida de Henrique VIII de Inglaterra. A série prometia, tinha sido difundida pelas televisões de vários países (em Portugal pela RTP) e tivera honras de Emmys e Globos de Ouro. E eu, que pertenço a uma geração que aprendeu História sem audiovisuais, vejo neste género de produção televisiva um modo entretido de relembrar episódios históricos com ganhos de familiaridade com os personagens que a simples leitura, por definição, não propicia.Qual não é, pois, o meu espanto quando um tal personagem denominado "Princess Margaret", supostamente irmã de Henrique VIII, é dada em casamento ao Rei de Portugal, (D. Manuel I ?). Sabendo que este nosso Rei se casara três vezes, pensei que a princesa inglesa me tinha escapado, uma falha de memória, sei lá! Inquieta, mas com a curiosidade aguçada, aguardei com expectativa as cenas relativas ao casamento, a entrada em cena da corte portuguesa num periodo aúreo da nossa História. Vi, então, como a princesa choramingava porque D. Manuel era um velho corcunda, implorando ao irmão que a troco de tão grande sacrifício lhe desse liberdade para escolher segundo marido quando enviuvasse, o que, esperava, ocorreria rapidamente.Após uma imagem de rara beleza do Tejo e da Ribeira das Naus, seguiu-se uma sucessão de cenas de verdadeiro horror. D. Manuel era um gnomo marreca e saltitante, desdentado e de olhar lúbrico, baboso, falando um português mal amanhado. A corte, um conjunto de velhotas vestidas de negro, clérigos encapuçados, homens feios e sujos. As cerimónias pareciam ter como cenário uma espécie de barracão e as músicas eram espanholas (Falla?). O casamento consumou-se no que poderia ser um quartinho do Castelo de S. Jorge, com uma data de basbaques de mau aspecto rodeando o tálamo conjugal e aplaudindo grosseiramente.No dia seguinte - assim prossegue a série - a princesa Margarida, após lançar um olhar nostálgico à sua nau, prestes a partir do Tejo, não está com meias medidas e assassina o nosso Rei, sufocando-o com uma almofada. A última imagem com que o realizador arruma o episódio português é um grande plano dos reais pés, sujíssimos, explicitando que nem para o casamento este se dera ao trabalho de ablações mínimas.A indignação venceu qualquer inércia que ainda restasse para confirmar a desconformidade de tão burlesca narrativa com a realidade dos factos. D. Manuel casou três vezes, com duas filhas dos Reis Católicos, Isabel e Maria e, pela segunda vez viúvo, casou novamente com D. Leonor, irmã de Carlos V. Todas eram excelentes partidos, demonstrando bem a importância, à época, de Portugal e do seu Rei. Entre a consulta à História de Barcellos e o recurso à Internet foi possível constatar a existência de muitos outros erros grosseiros. De facto a "Princess Margaret" nunca existiu e é um personagem composto a partir das duas irmãs Tudor de Henrique VIII; o rei português de então era D. João III, de vinte anos de idade; não existiu nenhum Papa Alexandre desde 1503; o cardeal Wolsey não foi preso nem se suicidou e Thomas Tallis não consta que fosse bissexual. Até na escolha dos adereços se repetem os erros, ridículos, tal como a utilização de um mosquete por Henrique VIII, arma que só foi inventada em 1630, ou seja um século mais tarde.Posto isto, coloco duas questões. A primeira tem a ver com este, ou qualquer outro, drama histórico televisivo. Embora se possa e deva esperar algum tempero fantasioso da narrativa, não é suposto que tal fantasia deturpe a História, alterando os seus factos, a sua cronologia, a sua geografia ou a identidade das suas figuras. Perdida a dimensão de relato histórico, o que resta passa de ficção a embuste. A segunda tem a ver com a nossa reputação nacional e quem é suposto defendê-la. Num país onde já não se ensina História, o canal estatal difundiu, que eu saiba sem qualquer reparo, uma versão vergonhosa e falsa do nosso passado colectivo. Se a Internet não mente, todos os que se sentiram atingidos foram reagindo e rectificando, excepto nós. Porque será?"
"Acomodei-me no meu sofá para ver The Tudors, um drama histórico televisivo sobre a vida de Henrique VIII de Inglaterra. A série prometia, tinha sido difundida pelas televisões de vários países (em Portugal pela RTP) e tivera honras de Emmys e Globos de Ouro. E eu, que pertenço a uma geração que aprendeu História sem audiovisuais, vejo neste género de produção televisiva um modo entretido de relembrar episódios históricos com ganhos de familiaridade com os personagens que a simples leitura, por definição, não propicia.Qual não é, pois, o meu espanto quando um tal personagem denominado "Princess Margaret", supostamente irmã de Henrique VIII, é dada em casamento ao Rei de Portugal, (D. Manuel I ?). Sabendo que este nosso Rei se casara três vezes, pensei que a princesa inglesa me tinha escapado, uma falha de memória, sei lá! Inquieta, mas com a curiosidade aguçada, aguardei com expectativa as cenas relativas ao casamento, a entrada em cena da corte portuguesa num periodo aúreo da nossa História. Vi, então, como a princesa choramingava porque D. Manuel era um velho corcunda, implorando ao irmão que a troco de tão grande sacrifício lhe desse liberdade para escolher segundo marido quando enviuvasse, o que, esperava, ocorreria rapidamente.Após uma imagem de rara beleza do Tejo e da Ribeira das Naus, seguiu-se uma sucessão de cenas de verdadeiro horror. D. Manuel era um gnomo marreca e saltitante, desdentado e de olhar lúbrico, baboso, falando um português mal amanhado. A corte, um conjunto de velhotas vestidas de negro, clérigos encapuçados, homens feios e sujos. As cerimónias pareciam ter como cenário uma espécie de barracão e as músicas eram espanholas (Falla?). O casamento consumou-se no que poderia ser um quartinho do Castelo de S. Jorge, com uma data de basbaques de mau aspecto rodeando o tálamo conjugal e aplaudindo grosseiramente.No dia seguinte - assim prossegue a série - a princesa Margarida, após lançar um olhar nostálgico à sua nau, prestes a partir do Tejo, não está com meias medidas e assassina o nosso Rei, sufocando-o com uma almofada. A última imagem com que o realizador arruma o episódio português é um grande plano dos reais pés, sujíssimos, explicitando que nem para o casamento este se dera ao trabalho de ablações mínimas.A indignação venceu qualquer inércia que ainda restasse para confirmar a desconformidade de tão burlesca narrativa com a realidade dos factos. D. Manuel casou três vezes, com duas filhas dos Reis Católicos, Isabel e Maria e, pela segunda vez viúvo, casou novamente com D. Leonor, irmã de Carlos V. Todas eram excelentes partidos, demonstrando bem a importância, à época, de Portugal e do seu Rei. Entre a consulta à História de Barcellos e o recurso à Internet foi possível constatar a existência de muitos outros erros grosseiros. De facto a "Princess Margaret" nunca existiu e é um personagem composto a partir das duas irmãs Tudor de Henrique VIII; o rei português de então era D. João III, de vinte anos de idade; não existiu nenhum Papa Alexandre desde 1503; o cardeal Wolsey não foi preso nem se suicidou e Thomas Tallis não consta que fosse bissexual. Até na escolha dos adereços se repetem os erros, ridículos, tal como a utilização de um mosquete por Henrique VIII, arma que só foi inventada em 1630, ou seja um século mais tarde.Posto isto, coloco duas questões. A primeira tem a ver com este, ou qualquer outro, drama histórico televisivo. Embora se possa e deva esperar algum tempero fantasioso da narrativa, não é suposto que tal fantasia deturpe a História, alterando os seus factos, a sua cronologia, a sua geografia ou a identidade das suas figuras. Perdida a dimensão de relato histórico, o que resta passa de ficção a embuste. A segunda tem a ver com a nossa reputação nacional e quem é suposto defendê-la. Num país onde já não se ensina História, o canal estatal difundiu, que eu saiba sem qualquer reparo, uma versão vergonhosa e falsa do nosso passado colectivo. Se a Internet não mente, todos os que se sentiram atingidos foram reagindo e rectificando, excepto nós. Porque será?"
terça-feira, abril 08, 2008
quinta-feira, março 27, 2008
Opinião
"A mais perigosa consequência da guerra e a que mais se deve recear nas batalhas, é a opinião. Na perda de uma batalha arrisca-se um exército; na perda da opinião arrisca-se um reino. Salomão, o Rei mais sábio, dizia que 'o melhor era o bom nome, que o óleo com que se ungiam os reis'; porque a unção pode dar reinos, a opinião pode tirá-los." Padre António Vieira
terça-feira, março 25, 2008
Crash
Não é o filme... assustador em vários sentidos! Mas uma revista tentadora de moda (não de carros nem tunning ehehe). Vão ver aos links. Juntamente com a WAD são dois pilares da cultura urbana (não abusar do termo, please!).
"Aqui celebramos a Claridade"
Várias coisas podiam ser ditas sobre esta Páscoa! Da minha vida, resumo em força para continuar venha o que vier. Força para começar, para regressar, para enfrentar e aceitar.
Nunca mais prisões.... "Aqui celebramos a Claridade". Que é só uma, Cristo. Este nunca nos abandona nem nas horas onde a escuridão parece confortante.... e como ela fala manso aos nossos ouvidos.
Nunca mais prisões.... "Aqui celebramos a Claridade". Que é só uma, Cristo. Este nunca nos abandona nem nas horas onde a escuridão parece confortante.... e como ela fala manso aos nossos ouvidos.
quinta-feira, março 20, 2008
"Passagem"
Permito-me a transcrição directa da crónica de Maria José Nogueira Pinto. Um texto lúcido de uma cristã. Diário de Nóticias de Hoje
Nenhum tempo litúrgico é tão marcado pelo silêncio como este que antecede e prenuncia os trágicos passos do Calvário, a via sacra e a morte de Cristo, o Nazareno.Silêncio, trevas e uma urgência na precipitação dos factos. Poucos dias mediaram entre a entrada triunfal em Jerusalém, por entre multidões entusiasmadas, e a prisão, o julgamento sumário, o peso do madeiro, a coroa de espinhos, a flagelação, os pregos trespassando os membros, a sede, o medo e o abandono. Porque tudo estava dito, tudo tinha sido, muito tempo antes, profetizado, tudo tinha de acontecer. Ele, melhor que ninguém sabia que tinha chegado a hora, o tempo de vésperas, o fim e o princípio. Por isso não se defendeu, não replicou, não fugiu. Entregou-se como o cordeiro imolado, tal como estava escrito. Nesta dimensão divina coube a dimensão humana dos acontecimentos: as maquinações políticas, o confronto dos poderes terrenais, a cedência à manipulação popular. E a preocupação dos mais conscientes ou dos mais compassivos, os sonhos assustadores da mulher de Pilatos e as poucas vozes que procuravam contrariar o "processo" de Jesus.Mas a grande maioria, imagino, assistia a tudo como se de um espectáculo se tratasse. Cristo era uma figura popular, carismática, incómoda, que desafiara os poderes constituídos. Mas seria tão poderoso como dizia ser? Esse homem que se designava filho de Deus - por este crime o condenaram - ía mesmo morrer, tal como os dois ladrões igualmente condenados à crucificação? Ele, que ressuscitara Lázaro, dera a vista aos cegos, curara os leprosos e afirmara, mesmo, que ergueria o Templo em três dias, porque não se salvava a si mesmo? No meio desta grande agitação do povo e das instituições, dos juízes e juízos, da exaltação das massas e das subtilezas da hipocrisia política, do sofrimento de Maria e de João, da traição de Judas, da cobardia de Pedro, da compaixão de Verónica, o que marca é o profundo silêncio de Cristo. Porque só o silêncio podia suportar o peso do mistério: não há ressurreição sem morte, nem encarnação sem humanidade. Esta tinha de ser uma morte humana, uma morte igual a qualquer outra morte violenta e sanguinária, com o mesmo sofrimento físico, o mesmo derramamento de sangue, o mesmo sucumbir do corpo, o mesmo parar do coração. E o mesmo medo, a mesma recusa, o mesmo abandono.O sentido último desta morte só se torna claro pela ressurreição, por isso o tempo entre um acontecimento e outro é de incerteza, dúvida e descrença para quase todos. Só Ele sabe com clareza o que se está a passar e porquê. Mas também o medo o divide, a dúvida o atormenta como se, no momento em que todo o seu corpo cede, o seu espírito ficasse, ainda que por brevíssimos instantes, preso à sua dimensão humana. Já no horto das Oliveiras, quando o vêm prender, murmura "Pai, afasta de mim este cálice"; pregado na cruz, ciente que tudo está consumado, exclama "Eli, Eli, lemá sabachthani" que quer dizer "Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste?" Uma pergunta cuja resposta Cristo sempre conhecera... Penso quão actual é esta extraodinária história. Todos os dias de todos os tempos, e do nosso tempo, homens e mulheres são perseguidos, maltratados, caluniados e mortos por amor da verdade e da justiça. A História da Humanidade está marcada por séculos e séculos de violência e nenhum desenvolvimento ou progresso conseguiram evitar, no tão próximo século vinte, matanças incontáveis em nome das mais falsas verdades e das mais ignominiosas doutrinas. Terá então valido a pena a paixão desse homem que revolucionou o seu tempo e os tempos que vieram até aos nossos dias ou, para os cristãos, o mistério da Encarnação, a tragédia da crucificação e o mistério da Ressurreição?Sem dúvida que sim. Esta é a nova aliança, que nos permite acreditar - mesmo sabendo que os homens, no seu exercício de liberdade entre bem e mal, vão claudicar muitas vezes - que o bem é uma escolha sempre a tempo, que toda a vida humana tem um sentido, que a redenção é todos os dias oferecida a cada um de nós e que, por tudo isto, a morte pode ser só uma passagem...
Nenhum tempo litúrgico é tão marcado pelo silêncio como este que antecede e prenuncia os trágicos passos do Calvário, a via sacra e a morte de Cristo, o Nazareno.Silêncio, trevas e uma urgência na precipitação dos factos. Poucos dias mediaram entre a entrada triunfal em Jerusalém, por entre multidões entusiasmadas, e a prisão, o julgamento sumário, o peso do madeiro, a coroa de espinhos, a flagelação, os pregos trespassando os membros, a sede, o medo e o abandono. Porque tudo estava dito, tudo tinha sido, muito tempo antes, profetizado, tudo tinha de acontecer. Ele, melhor que ninguém sabia que tinha chegado a hora, o tempo de vésperas, o fim e o princípio. Por isso não se defendeu, não replicou, não fugiu. Entregou-se como o cordeiro imolado, tal como estava escrito. Nesta dimensão divina coube a dimensão humana dos acontecimentos: as maquinações políticas, o confronto dos poderes terrenais, a cedência à manipulação popular. E a preocupação dos mais conscientes ou dos mais compassivos, os sonhos assustadores da mulher de Pilatos e as poucas vozes que procuravam contrariar o "processo" de Jesus.Mas a grande maioria, imagino, assistia a tudo como se de um espectáculo se tratasse. Cristo era uma figura popular, carismática, incómoda, que desafiara os poderes constituídos. Mas seria tão poderoso como dizia ser? Esse homem que se designava filho de Deus - por este crime o condenaram - ía mesmo morrer, tal como os dois ladrões igualmente condenados à crucificação? Ele, que ressuscitara Lázaro, dera a vista aos cegos, curara os leprosos e afirmara, mesmo, que ergueria o Templo em três dias, porque não se salvava a si mesmo? No meio desta grande agitação do povo e das instituições, dos juízes e juízos, da exaltação das massas e das subtilezas da hipocrisia política, do sofrimento de Maria e de João, da traição de Judas, da cobardia de Pedro, da compaixão de Verónica, o que marca é o profundo silêncio de Cristo. Porque só o silêncio podia suportar o peso do mistério: não há ressurreição sem morte, nem encarnação sem humanidade. Esta tinha de ser uma morte humana, uma morte igual a qualquer outra morte violenta e sanguinária, com o mesmo sofrimento físico, o mesmo derramamento de sangue, o mesmo sucumbir do corpo, o mesmo parar do coração. E o mesmo medo, a mesma recusa, o mesmo abandono.O sentido último desta morte só se torna claro pela ressurreição, por isso o tempo entre um acontecimento e outro é de incerteza, dúvida e descrença para quase todos. Só Ele sabe com clareza o que se está a passar e porquê. Mas também o medo o divide, a dúvida o atormenta como se, no momento em que todo o seu corpo cede, o seu espírito ficasse, ainda que por brevíssimos instantes, preso à sua dimensão humana. Já no horto das Oliveiras, quando o vêm prender, murmura "Pai, afasta de mim este cálice"; pregado na cruz, ciente que tudo está consumado, exclama "Eli, Eli, lemá sabachthani" que quer dizer "Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste?" Uma pergunta cuja resposta Cristo sempre conhecera... Penso quão actual é esta extraodinária história. Todos os dias de todos os tempos, e do nosso tempo, homens e mulheres são perseguidos, maltratados, caluniados e mortos por amor da verdade e da justiça. A História da Humanidade está marcada por séculos e séculos de violência e nenhum desenvolvimento ou progresso conseguiram evitar, no tão próximo século vinte, matanças incontáveis em nome das mais falsas verdades e das mais ignominiosas doutrinas. Terá então valido a pena a paixão desse homem que revolucionou o seu tempo e os tempos que vieram até aos nossos dias ou, para os cristãos, o mistério da Encarnação, a tragédia da crucificação e o mistério da Ressurreição?Sem dúvida que sim. Esta é a nova aliança, que nos permite acreditar - mesmo sabendo que os homens, no seu exercício de liberdade entre bem e mal, vão claudicar muitas vezes - que o bem é uma escolha sempre a tempo, que toda a vida humana tem um sentido, que a redenção é todos os dias oferecida a cada um de nós e que, por tudo isto, a morte pode ser só uma passagem...
quarta-feira, março 19, 2008
quinta-feira, março 13, 2008
Fim
"All Good Things (Come To An End)"
Honestly what will become of medon't like reality
It's way too clear to me
But really life is dandy
We are what we don't see
Missed everything daydreaming
[Chorus:]Flames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end
Flames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end
come to an end come to an
Why do all good things come to end?
come to an end come to an
Why do all good things come to an end?
Traveling I only stop at exits
Wondering if I'll stay
Young and restless
Living this way
I stress less
I want to pull away when the dream dies
The pain sets it and I don't cry
I only feel gravity and I wonder why
Flames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end
Flames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end
come to an end come to an
Why do all good things come to end?
come to an end come to an
Why do all good things come to an end?~
Well the dogs were whistling a new tune
Barking at the new moon
Hoping it would come soon so that they could
Dogs were whistling a new tune
Barking at the new moon
Hoping it would come soon so that they could
Die die die die die
Flames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end
Flames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end
come to an end come to an
Why do all good things come to end?come to an end come to an
Why do all good things come to an end?
Well the dogs were barking at a new moon
Whistling a new tune
Hoping it would come soon
And the sun was wondering if it should stay away for a day 'til the feeling went away
And the sky was falling on the clouds were dropping and
the rain forgot how to bring salvation
the dogs were barking at the new moon
Whistling a new tune
Hoping it would come soon so that they could die.
Honestly what will become of medon't like reality
It's way too clear to me
But really life is dandy
We are what we don't see
Missed everything daydreaming
[Chorus:]Flames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end
Flames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end
come to an end come to an
Why do all good things come to end?
come to an end come to an
Why do all good things come to an end?
Traveling I only stop at exits
Wondering if I'll stay
Young and restless
Living this way
I stress less
I want to pull away when the dream dies
The pain sets it and I don't cry
I only feel gravity and I wonder why
Flames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end
Flames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end
come to an end come to an
Why do all good things come to end?
come to an end come to an
Why do all good things come to an end?~
Well the dogs were whistling a new tune
Barking at the new moon
Hoping it would come soon so that they could
Dogs were whistling a new tune
Barking at the new moon
Hoping it would come soon so that they could
Die die die die die
Flames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end
Flames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end
come to an end come to an
Why do all good things come to end?come to an end come to an
Why do all good things come to an end?
Well the dogs were barking at a new moon
Whistling a new tune
Hoping it would come soon
And the sun was wondering if it should stay away for a day 'til the feeling went away
And the sky was falling on the clouds were dropping and
the rain forgot how to bring salvation
the dogs were barking at the new moon
Whistling a new tune
Hoping it would come soon so that they could die.
terça-feira, março 04, 2008
segunda-feira, março 03, 2008
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Galadriel and Frodo
Galadriel
İn place of a Dark Lord, you would have a Queen not dark but beautiful, and terrible as the dawn! Treacherous as the sea! Stronger than the foundations of the earth!
All shall love me and despair.
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Oscar Wilde - no seu melhor
America is the only country that went from barbarism to decadence without civilization in between.
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
terça-feira, fevereiro 19, 2008
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Chuva
Rain
"I feel it, it's coming[Chorus:]
Rain, feel it on my finger tips
Hear it on my window pane
Your love's coming down like
Rain, wash away my sorrow
Take away my pain
Your love's coming down like rain
When your lips are burning mine
And you take the time to tell me how you feel
When you listen to my words
And I know you've heard, I know it's real
Rain is what this thunder brings
For the first time I can hear my heart sing
Call me a fool but I know I'm not
I'm gonna stand out here on the mountain top
Till I feel your[chorus]
When you looked into my eyes
And you said goodbye could you see my tears
When I turned the other way
Did you hear me say
I'd wait for all the dark clouds bursting in a perfect sky
You promised me when you said goodbye
That you'd return when the storm was done
And now I'll wait for the light, I'll wait for the sun
Till I feel your[chorus]
Here comes the sun, here comes the sun
And I say, never go away
Waiting is the hardest thing(It's strange I feel like I've known you before)
I tell myself that if I believe in you(And I want to understand you)
In the dream of you(More and more)
With all my heart and all my soul(When I'm with you)
That by sheer force of will(I feel like a magical child)
I will raise you from the ground(Everything strange)
And without a sound you'll appear(Everything wild)
And surrender to me, to love
Rain is what the thunder brings
For the first time I can hear my heart sing
Call me a fool but I know I'm not
I'm gonna stand out here on the mountain top
Till I feel yourRain, I feel it, it's coming
Your love's coming down like[repeat][chorus]
Rain, I feel it, it's comingYour love's coming down like[repeat]
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
terça-feira, fevereiro 12, 2008
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Mensagens...
«Os meios de comunicação social: na encruzilhada entre protagonismo e serviço. Buscar a verdade para partilhá-la»
Um tema interessante para os agentes da comunicação!!!
Um tema interessante para os agentes da comunicação!!!
terça-feira, janeiro 22, 2008
quinta-feira, janeiro 17, 2008
terça-feira, janeiro 08, 2008
Esperar...
Mais ainda: precisamos das esperanças – menores ou maiores – que, dia após dia, nos mantêm a caminho. Mas, sem a grande esperança que deve superar tudo o resto, aquelas não bastam!
sexta-feira, janeiro 04, 2008

Dia 6 de Janeiro, às 16h00, com entrada livre
MÚSICA DOS SÉCS. XVI E XVII NA IGREJA DA ENCARNAÇÃO, EM LISBOA
Depois da série especial de concertos que, no mês passado, levaram mais de um milhar de pessoas às Igrejas da Baixa-Chiado, o já tradicional Ciclo de Concertos de Música Sacra entra no Novo Ano com mais um concerto.
O grupo Coral Vértice leva este Domingo à Igreja da Encarnação um repertório dedicado a vários compositores dos sécs. XVI e XVII, onde surge em especial destaque “Missa Ave Maris Stella”, de Tomas Luís de Victoria (1548-1611), para além da interpretação de três obras de Estêvão Lopes Morago (c.1575 - após 1630): “O Magnum Mysterium”. “Verbum caro factum est” e “Quem vidistis pastores” e de cinco obras de Gaspar Fernandes (1566-1629), entre as quais “Eso Rigor e repente” e “En un portalejo pobre”.Para além de uma obra interpretada em Canto Gregoriano, este concerto revisita ainda autores como D. Pedro de Cristo (1545-1618), com “Quaeramus cum pastoribus”, Pedro do Porto (c.1465-após 1535), com “Magnificat Octavi Toni”, e Aires Fernandes (?- c.1600), com “Alma Redemptoris Mater”.Esta iniciativa insere-se numa série de concertos que até Janeiro irão decorrer nas Igrejas da baixa lisboeta, cujo mote é, antes de mais, comemorar o Nascimento de Cristo num memorial das sinfonias mais belas inspiradas no Evangelho.
quinta-feira, janeiro 03, 2008
A grande frase democrática
"A sociedade caminha nesta direcção, se não quisermos viver nela podemos sempre emigrar»
António Nunes, inspector-geral da ASAE, in 'Tabu' ('Sol')
António Nunes, inspector-geral da ASAE, in 'Tabu' ('Sol')
quarta-feira, janeiro 02, 2008
Porque não podem as escolas terem nomes de santos?
Resposta: porque o PM assim o deseja em nome de uma bruta e parva "igualdade" e "secularidade". Poupem-nos..,
Ano Novo, Vida Nova?
Não tenho propósitos de 2008! Nem quero fazer previsões, mas tudo continua na mesma: entre mortos às mãos dos homens, leis anti-tabaco, um governo extraordinariamente estúpido e cego, e mais pobreza!
Cada vez mais precisamos de acreditar que algo nos irá salvar...
" No curral de Belém, tocam-se céu e terra. O céu veio à terra. Por isso, de lá emana uma luz para todos os tempos; por isso lá se acende a alegria; por isso lá nasce o canto. Quero, no termo da nossa meditação natalícia, citar uma singular afirmação de Santo Agostinho. Ao interpretar a invocação da Oração do Senhor «Pai Nosso que estais nos céus», ele interroga-se: O que é isto, o céu? E onde é o céu? Segue-se uma resposta surpreendente: «…que estais nos céus – isto significa: nos santos e nos justos. Temos, é verdade, os céus, os corpos mais elevados do universo, mas sempre corpos são, os quais não podem estar senão num lugar. Na realidade, se se acreditasse que o lugar de Deus seria nos céus enquanto as partes mais altas do mundo, então as aves seriam mais felizardas do que nós, porque viveriam mais perto de Deus. Ora não está escrito: “O Senhor está perto de quantos habitam nas alturas ou nas montanhas”, mas sim “O Senhor está perto dos contritos de coração” (Sal 34/33, 19), expressão esta que se refere à humildade. Do mesmo modo que o pecador é chamado “terra”, por contraposição também o justo pode ser chamado “céu”» (Serm. in monte II 5, 17). O céu não pertence à geografia do espaço, mas à geografia do coração. E o coração de Deus, na Noite santa, inclinou-Se até ao curral: a humildade de Deus é o céu. E se formos ao encontro desta humildade, então tocamos o céu. Então a própria terra se torna nova. Com a humildade dos pastores, ponhamo-nos a caminho, nesta Noite santa, até junto do Menino no curral! Toquemos a humildade de Deus, o coração de Deus! Então a sua alegria tocar-nos-á a nós e tornará mais luminoso o mundo" Natal - Bento XVI
Cada vez mais precisamos de acreditar que algo nos irá salvar...
" No curral de Belém, tocam-se céu e terra. O céu veio à terra. Por isso, de lá emana uma luz para todos os tempos; por isso lá se acende a alegria; por isso lá nasce o canto. Quero, no termo da nossa meditação natalícia, citar uma singular afirmação de Santo Agostinho. Ao interpretar a invocação da Oração do Senhor «Pai Nosso que estais nos céus», ele interroga-se: O que é isto, o céu? E onde é o céu? Segue-se uma resposta surpreendente: «…que estais nos céus – isto significa: nos santos e nos justos. Temos, é verdade, os céus, os corpos mais elevados do universo, mas sempre corpos são, os quais não podem estar senão num lugar. Na realidade, se se acreditasse que o lugar de Deus seria nos céus enquanto as partes mais altas do mundo, então as aves seriam mais felizardas do que nós, porque viveriam mais perto de Deus. Ora não está escrito: “O Senhor está perto de quantos habitam nas alturas ou nas montanhas”, mas sim “O Senhor está perto dos contritos de coração” (Sal 34/33, 19), expressão esta que se refere à humildade. Do mesmo modo que o pecador é chamado “terra”, por contraposição também o justo pode ser chamado “céu”» (Serm. in monte II 5, 17). O céu não pertence à geografia do espaço, mas à geografia do coração. E o coração de Deus, na Noite santa, inclinou-Se até ao curral: a humildade de Deus é o céu. E se formos ao encontro desta humildade, então tocamos o céu. Então a própria terra se torna nova. Com a humildade dos pastores, ponhamo-nos a caminho, nesta Noite santa, até junto do Menino no curral! Toquemos a humildade de Deus, o coração de Deus! Então a sua alegria tocar-nos-á a nós e tornará mais luminoso o mundo" Natal - Bento XVI
quinta-feira, dezembro 27, 2007
quinta-feira, dezembro 20, 2007
terça-feira, dezembro 18, 2007
Natália Correia e Natal
FALAVAM-ME DE AMOR
Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.
Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.
O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.
Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.
Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.
O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.
Nunca se arrepender do amor dado
Diana Ross - Reflections
Through the mirror of my mind
Time after time
I see reflections of you and me
Reflections of
The way life used to be
Reflections of
The love you took from me
Oh, I’m all alone now
No love to shield me
Trapped in a world
That’s a distorted reality
Hapiness you took from me
And left me alone
With only memories
Through the mirror of my mind
Through these tears that
I’m crying
Reflects a hurt
I can’t control’cause although you’re gone
I keep holding on
To the happy times
Oh, when you were mine
As I peer through the window
Of lost time
Looking over my yesterdays
And all the love
I gave all in vain(all the love) all the love
That I’ve waisted(all the tears) all the tears
That I’ve taistedAll in vain
Through the hollow of my tears
I see a dream that’s lost
From the hurt
That you have caused
Everywhere I turnS
eems like everything I see
Reflects the love that used to be
In you I putAll my faith and trust
Right before my eyes
My world has turned to dust
After all the nights
I sat alone and wept
Just a handful of promisses
Are all that’s left of loving you
Reflections of
The way life used to be
Reflections of
The love you took from me
In you I put
All my faith and trust
Right before my eyes
My world has turned to dust...
Through the mirror of my mind
Time after time
I see reflections of you and me
Reflections of
The way life used to be
Reflections of
The love you took from me
Oh, I’m all alone now
No love to shield me
Trapped in a world
That’s a distorted reality
Hapiness you took from me
And left me alone
With only memories
Through the mirror of my mind
Through these tears that
I’m crying
Reflects a hurt
I can’t control’cause although you’re gone
I keep holding on
To the happy times
Oh, when you were mine
As I peer through the window
Of lost time
Looking over my yesterdays
And all the love
I gave all in vain(all the love) all the love
That I’ve waisted(all the tears) all the tears
That I’ve taistedAll in vain
Through the hollow of my tears
I see a dream that’s lost
From the hurt
That you have caused
Everywhere I turnS
eems like everything I see
Reflects the love that used to be
In you I putAll my faith and trust
Right before my eyes
My world has turned to dust
After all the nights
I sat alone and wept
Just a handful of promisses
Are all that’s left of loving you
Reflections of
The way life used to be
Reflections of
The love you took from me
In you I put
All my faith and trust
Right before my eyes
My world has turned to dust...
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Ortografia da Treta
http://www.petitiononline.com/naoacord/petition.html
Podemos contribuir para parar um processo super-iluminado e evolutivo!!! Contra a língua da treta vendida aos princípios economicistas.
Podemos contribuir para parar um processo super-iluminado e evolutivo!!! Contra a língua da treta vendida aos princípios economicistas.
quarta-feira, dezembro 12, 2007
O disparate
Podemos observar na crónica de Baptista Bastos no DN de hoje:
"A distinção entre crentes e não crentes permite que os últimos tenham sempre a possibilidade de investigar, interpelar, renovar - ao contrário dos primeiros. "
"A distinção entre crentes e não crentes permite que os últimos tenham sempre a possibilidade de investigar, interpelar, renovar - ao contrário dos primeiros. "
terça-feira, dezembro 11, 2007
segunda-feira, dezembro 10, 2007
Mais Descobertas ou redescobertas...
na rua do século, onde revi a loja Tom tom com milhentas delícias de design e não só! Está na Rua de "O Século", n.º 4 A!
E, antes da Fermento uma loja "divina" de abatjours! Vale a pena.
E, antes da Fermento uma loja "divina" de abatjours! Vale a pena.
Nas compras de Natal...
que não existem porque não há $$$, descobri uma loja deliciosa na rua do século!
http://www.fermentoshop.blogspot.com/ Deixo o link para se deliciarem, mas nesta antiga pastelaria encontramos pequenos doces para os miúdos e não só
http://www.fermentoshop.blogspot.com/ Deixo o link para se deliciarem, mas nesta antiga pastelaria encontramos pequenos doces para os miúdos e não só
sexta-feira, novembro 30, 2007
Eminência Parda

Descobri o sentido desta expressão, ou melhor, a origem:
o secretário de Richelieu (Eminência vermelha) era um capuchinho Pére Joseph (Francisco Le Clerc du Tremblay) cujo hábito era pardo. Daí a expressão, esta figura tinha tanto poder como o seu superior.
Esta expressão fica na história como alguém obscuro no poder!
Uma marca em Lisboa - Sheraton
Estive presente na organização de um seminário no Hotel Seraton e só posso dizer que é um lugar de qualidade! No que toca ao serviço e aos seus empregados.
O cuidado e a alta qualidade foram algo que não passou despercebido.
Algo de marcante em Lisboa, mesmo com um estilo totalmente USA.
O cuidado e a alta qualidade foram algo que não passou despercebido.
Algo de marcante em Lisboa, mesmo com um estilo totalmente USA.
Empatias
Há coisas estranhas na vida! E, é verdade a afirmação do Hamlet, "há mais coisas debaixo do céu que possamos suspeitar" (citação livre minha)!
Ontem, pensando numa amiga minha que se encontra em Londres, nesse exacto momento recebo uma sms sua!!!
Estranho mas reconfortante... a amizade é assim. E os espíritos fortes muito mais. Beijos, Isabel.
Ontem, pensando numa amiga minha que se encontra em Londres, nesse exacto momento recebo uma sms sua!!!
Estranho mas reconfortante... a amizade é assim. E os espíritos fortes muito mais. Beijos, Isabel.
quarta-feira, novembro 21, 2007
Será verdade?
Será verdade que a Nova Zelândia, como adianta o Destak na sua ediçao de hoje, não deixa entrar pessoas gordas no seu espaço? Será mesmo verdade? Isto é o nível de demência governamental a que chegamos? Não será o resultado de um puritanismo exacerbado? É loucura... ao pior nível. De seguida, quem será? É, no mínimo, estranho para uma comunidade que nasceu de presidiários e muitas "maria madalenas" pouco arrependidas... Viva a gordura...
terça-feira, novembro 20, 2007
O que é o Homem para Vos lembreis dele?
É a pergunta que o salmista faz a Deus! O que é o homem e a mulher para Vos lembreis deles? São seres criados como todos os outros, seres frageis e animados, seres que serão pó como o resto da criação! Porém, seres capazes de Deus, da infinitude, do pensamento, do bom e do mau e porfim, capazes da solidão.
O único ser da criação que vive e morre só! Mesmo reunido em grande movimento ou em cidades que nunca param, o Homem vive e morre só. Porque? por viver no seu próprio interior. O seu interior, lugar das coisas mais maravilhosas e grandiosas mas capaz também das barbaridades e atrocidades.
Antes que cheguem ao acto, já em potência no nosso interior se consolidam o bem e o mal.
Sempre fui um ser espiritual, não contente somente com a matéria! Tinha de haver algo de mais, pois dentro de mim moviam-se pensamentos e desejos. Deus movia-se no meu interior e nunca o vi cá fora.
Mas, sempre, me apercebi como um ser só! Mesmo dormindo acompanhado nunca soube do que se passava no interior os outros e os outros não sabiam do que eu sentia, pensava ou rezava.
Movem-se os lábios mas o interior reflecte solidão.
O único ser da criação que vive e morre só! Mesmo reunido em grande movimento ou em cidades que nunca param, o Homem vive e morre só. Porque? por viver no seu próprio interior. O seu interior, lugar das coisas mais maravilhosas e grandiosas mas capaz também das barbaridades e atrocidades.
Antes que cheguem ao acto, já em potência no nosso interior se consolidam o bem e o mal.
Sempre fui um ser espiritual, não contente somente com a matéria! Tinha de haver algo de mais, pois dentro de mim moviam-se pensamentos e desejos. Deus movia-se no meu interior e nunca o vi cá fora.
Mas, sempre, me apercebi como um ser só! Mesmo dormindo acompanhado nunca soube do que se passava no interior os outros e os outros não sabiam do que eu sentia, pensava ou rezava.
Movem-se os lábios mas o interior reflecte solidão.
segunda-feira, novembro 19, 2007
Ciclo de Concertos de Música Sacra - Natal

Programação
Ciclo de Concertos de Música Sacra nas Igrejas da Baixa-Chiado
Organizado pela Unidade Pastoral da Baixa-Chiado
Ciclo de Natal – de 25 de Novembro a 13 de Janeiro às 16h00
25 de Novembro, Domingo, Basílica dos Mártires, Coro Polifónico de Almada
Peças de Natal de vários autores populares
2 de Dezembro, Domingo, Igreja da Madalena, Ensemble Mensura
Missa L’homme armé de Johannes Ockeghem e obras de Estêvão de Brito e Manuel Cardoso
6 de Dezembro, Quinta-feira às 19h30, Igreja de São Nicolau, Polyphonia Schola Cantorum
Missa brevis Sancti Joannis de Deo de Joseph Haydn
8 de Dezembro, Sábado, Igreja da Conceição Velha, Vox Canónica
Canto Gregoriano, Magnificat de Duarte Lobo e Responsórios de Natal de D. Pedro de Esperança e Polifonia Renascentista Mariana
9 de Dezembro, Domingo, Basílica dos Mártires, Voces Caelestes
Natal na Música Sacra Renascentista Europeia
16 de Dezembro, Domingo, Igreja da Madalena, Polyphonia Schola Cantorum
Responsório de Natal de Carlos Seixas, Missa brevis Sancti Joannis de Deo de Joseph Haydn e Gloria de Vivaldi
6 de Janeiro, Domingo, Igreja da Encarnação, Coral Vértice
Missa Ave Maris Stella de Tomas Luis de Victoria e outros compositores do Séc. XVI e XVII
13 de Janeiro, Domingo, Basílica dos Mártires, Odyssea
Ivan Moody e outros compositores contemporâneos
Ciclo de Concertos de Música Sacra nas Igrejas da Baixa-Chiado
Organizado pela Unidade Pastoral da Baixa-Chiado
Ciclo de Natal – de 25 de Novembro a 13 de Janeiro às 16h00
25 de Novembro, Domingo, Basílica dos Mártires, Coro Polifónico de Almada
Peças de Natal de vários autores populares
2 de Dezembro, Domingo, Igreja da Madalena, Ensemble Mensura
Missa L’homme armé de Johannes Ockeghem e obras de Estêvão de Brito e Manuel Cardoso
6 de Dezembro, Quinta-feira às 19h30, Igreja de São Nicolau, Polyphonia Schola Cantorum
Missa brevis Sancti Joannis de Deo de Joseph Haydn
8 de Dezembro, Sábado, Igreja da Conceição Velha, Vox Canónica
Canto Gregoriano, Magnificat de Duarte Lobo e Responsórios de Natal de D. Pedro de Esperança e Polifonia Renascentista Mariana
9 de Dezembro, Domingo, Basílica dos Mártires, Voces Caelestes
Natal na Música Sacra Renascentista Europeia
16 de Dezembro, Domingo, Igreja da Madalena, Polyphonia Schola Cantorum
Responsório de Natal de Carlos Seixas, Missa brevis Sancti Joannis de Deo de Joseph Haydn e Gloria de Vivaldi
6 de Janeiro, Domingo, Igreja da Encarnação, Coral Vértice
Missa Ave Maris Stella de Tomas Luis de Victoria e outros compositores do Séc. XVI e XVII
13 de Janeiro, Domingo, Basílica dos Mártires, Odyssea
Ivan Moody e outros compositores contemporâneos
Inspirações de Weekend

A Cosmopolitan is a cocktail made with vodka, Triple Sec, cranberry juice, and fresh-squeezed lime juice or sweetened lime juice. Informally, it is referred to as a Cosmo.
sexta-feira, novembro 16, 2007
quarta-feira, novembro 14, 2007
Frio e Inverno
http://www.yankodesign.com/index.php/2007/11/12/radiators-have-other-uses-too/
um complemento para o frio
um complemento para o frio
quinta-feira, novembro 08, 2007
Gente da Rua
Também me parece interessante conhecer esta gente da rua!
http://www.thesartorialist.blogspot.com/
http://www.thesartorialist.blogspot.com/
terça-feira, novembro 06, 2007
Madonna - Power of Goodbye
Your heart is not open so I must go
The spell has been broken,
I loved you so
Freedom comes when you learn to let go
Creation comes when you learn to say no
You were my lesson
I had to learnI was your fortress you had to burn
Pain is a warning that something's wrong
I pray to God that it won't be long
Do ya wanna go higher?
There's nothing left to try
There's no place left to hide
There's no greater power
Than the power of good-bye
Your heart is not open so I must go
The spell has been broken,
I loved you so
You were my lesson
I had to learn
I was your fortress
There's nothing left to lose
There's no more heart to bruise
There's no greater power
Than the power of good-bye
Learn to say good-bye
I yearn to say good-bye
The spell has been broken,
I loved you so
Freedom comes when you learn to let go
Creation comes when you learn to say no
You were my lesson
I had to learnI was your fortress you had to burn
Pain is a warning that something's wrong
I pray to God that it won't be long
Do ya wanna go higher?
There's nothing left to try
There's no place left to hide
There's no greater power
Than the power of good-bye
Your heart is not open so I must go
The spell has been broken,
I loved you so
You were my lesson
I had to learn
I was your fortress
There's nothing left to lose
There's no more heart to bruise
There's no greater power
Than the power of good-bye
Learn to say good-bye
I yearn to say good-bye
ROYKSOPP, WHAT ELSE IS THERE?
It was me on that road
But you couldn?t see me
Too many lights out, but nowhere near here
It was me on that road
Still you couldn?t see me
And then flashlights and explosions
Roads end getting nearer
We cover distance but not together
I am the storm I an the wonder
And the flashlights nightmares
And sudden explosions
I don't know what more to ask for
I was given just one wish
It's about you and the sun
A morning run
The story of my maker
What I have and what I ache for
I've got a golden ear
I cut and I spear
And what else is there
Roads and getting nearer
We cover distance still not together
If I am the storm if I am the wonder
Will I have a flashlights nightmares
And sudden explosions
There's no room where I can go and
You've got secrets too
I don't know what more to ask for
I was given just one wish
But you couldn?t see me
Too many lights out, but nowhere near here
It was me on that road
Still you couldn?t see me
And then flashlights and explosions
Roads end getting nearer
We cover distance but not together
I am the storm I an the wonder
And the flashlights nightmares
And sudden explosions
I don't know what more to ask for
I was given just one wish
It's about you and the sun
A morning run
The story of my maker
What I have and what I ache for
I've got a golden ear
I cut and I spear
And what else is there
Roads and getting nearer
We cover distance still not together
If I am the storm if I am the wonder
Will I have a flashlights nightmares
And sudden explosions
There's no room where I can go and
You've got secrets too
I don't know what more to ask for
I was given just one wish
Quatro tiros no coração
Certas manhãs chegava
esmagado pela luz
longo, frívolo, ofensivo
qualquer gesto aludia
a uma espécie de temor
a tristeza daqueles que pertencem
a lugar nenhum
Vivia tudo num instante
a solidão, os rancores
as alegrias dos outros
o silêncio do outono
Nunca o amor tocara o seu corpo
com a intensidade do medo
tornou-se parte de um rio
nem perto, nem longe
da palavra justa
Ele só pedia
"não me digam nada"
José Tolentino Mendonça
esmagado pela luz
longo, frívolo, ofensivo
qualquer gesto aludia
a uma espécie de temor
a tristeza daqueles que pertencem
a lugar nenhum
Vivia tudo num instante
a solidão, os rancores
as alegrias dos outros
o silêncio do outono
Nunca o amor tocara o seu corpo
com a intensidade do medo
tornou-se parte de um rio
nem perto, nem longe
da palavra justa
Ele só pedia
"não me digam nada"
José Tolentino Mendonça
segunda-feira, novembro 05, 2007
A direcção do sangue
A direcção do sangue
Quando se viaja sozinho
pelas imagens que perduram
as evocações ganham um modo tão real
A mancha ténue dos arbustos
indica o caminho para o regresso
que nunca há
o mar ficou de repente perto
sobre esta praia travámos lutas
para as quais só muito depois
encontramos um motivo
era à pedrada que nos defendíamos
do riso mais inocente
ou de um amor
Mas aquilo que nunca esquecemos
deixa de pertencer-nos e nem notamos
Estamos sós com a noite
para salvar um coração
José Tolentino de Mendonça
Quando se viaja sozinho
pelas imagens que perduram
as evocações ganham um modo tão real
A mancha ténue dos arbustos
indica o caminho para o regresso
que nunca há
o mar ficou de repente perto
sobre esta praia travámos lutas
para as quais só muito depois
encontramos um motivo
era à pedrada que nos defendíamos
do riso mais inocente
ou de um amor
Mas aquilo que nunca esquecemos
deixa de pertencer-nos e nem notamos
Estamos sós com a noite
para salvar um coração
José Tolentino de Mendonça
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